domingo, 16 de junho de 2013

Jô Soares define o que é ser "Professor"

Jô Soares define o que é ser "Professor"  
O material escolar mais barato que existe na praça é o professor.
É jovem, não tem experiência.
É velho, está superado
Não tem automóvel, é um pobre coitado.
Tem automóvel, chora de "barriga cheia".

Fala em voz alta, vive gritando.
Fala em tom normal, ninguém escuta.
Não falta à escola, é um "Adesivo".
Precisa faltar, é um "turista".
Conversa com os outros professores, está "malhando" nos alunos.
Não conversa, é um desligado.
Dá muita matéria, não tem dó.
Dá pouca matéria, não prepara os alunos.
Brinca com a turma, é metido a engraçado.
Não brinca com a turma, é um chato.

Chama a atenção, é um grosso.
Não chama a atenção, não se sabe impor.
A prova é longa, não dá tempo.

A prova é curta, tira as hipóteses do aluno.
Escreve pouco, não explica.
Explica muito, o caderno não tem nada.
Fala correctamente, ninguém entende.
Fala a "língua" do aluno, não tem vocabulário.
Exige, é rude.
Elogia, é parvo.
O aluno é retido, é perseguição.
O aluno é aprovado, deitou "água-benta".

É! O professor está sempre errado, mas se conseguiu ler até aqui, agradeça-lhe a ele.

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

OS PROFESSORES

Os professores, por José Luís Peixoto

O mundo não nasceu connosco. Essa ligeira ilusão é mais um sinal da imperfeição que nos cobre os sentidos. Chegámos num dia que não recordamos, mas que celebramos anualmente; depois, pouco a pouco, a neblina foi-se desfazendo nos objectos até que, por fim, conseguimos reconhecer-nos ao espelho. Nessa idade, não sabíamos o suficiente para percebermos que não sabíamos nada. Foi então que chegaram os professores. Traziam todo o conhecimento do mundo que nos antecedeu. Lançaram-se na tarefa de nos actualizar com o presente da nossa espécie e da nossa civilização. Essa tarefa, sabemo-lo hoje, é infinita.
O material que é trabalhado pelos professores não pode ser quantificado. Não há números ou casas decimais com suficiente precisão para medi-lo. A falta de quantificação não é culpa dos assuntos inquantificáveis, é culpa do nosso desejo de quantificar tudo. Os professores não vendem o material que trabalham, oferecem-no. Nós, com o tempo, com os anos, com a distância entre nós e nós, somos levados a acreditar que aquilo que os professores nos deram nos pertenceu desde sempre. Mais do que acharmos que esse material é nosso, achamos que nós próprios somos esse material. Por ironia ou capricho, é nesse momento que o trabalho dos professores se efectiva. O trabalho dos professores é a generosidade.
Basta um esforço mínimo da memória, basta um plim pequenino de gratidão para nos apercebermos do quanto devemos aos professores. Devemos-lhes muito daquilo que somos, devemos-lhes muito de tudo. Há algo de definitivo e eterno nessa missão, nesse verbo que é transmitido de geração em geração, ensinado. Com as suas pastas de professores, os seus blazers, os seus Ford Fiesta com cadeirinha para os filhos no banco de trás, os professores de hoje são iguais de ontem. O acto que praticam é igual ao que foi exercido por outros professores, com outros penteados, que existiram há séculos ou há décadas. O conhecimento que enche as páginas dos manuais aumentou e mudou, mas a essência daquilo que os professores fazem mantém-se. Essência, essa palavra que os professores recordam ciclicamente, essa mesma palavra que tendemos a esquecer.
Um ataque contra os professores é sempre um ataque contra nós próprios, contra o nosso futuro. Resistindo, os professores, pela sua prática, são os guardiões da esperança. Vemo-los a dar forma e sentido à esperança de crianças e de jovens, aceitamos essa evidência, mas falhamos perceber que são também eles que mantêm viva a esperança de que todos necessitamos para existir, para respirar, para estarmos vivos. Ai da sociedade que perdeu a esperança. Quem não tem esperança não está vivo. Mesmo que ainda respire, já morreu.
Envergonhem-se aqueles que dizem ter perdido a esperança. Envergonhem-se aqueles que dizem que não vale a pena lutar. Quando as dificuldades são maiores é quando o esforço para ultrapassá-las deve ser mais intenso. Sabemos que estamos aqui, o sangue atravessa-nos o corpo. Nascemos num dia em que quase nos pareceu ter nascido o mundo inteiro. Temos a graça de uma voz, podemos usá-la para exprimir todo o entendimento do que significa estar aqui, nesta posição. Em anos de aulas teóricas, aulas práticas, no laboratório, no ginásio, em visitas de estudo, sumários escritos no quadro no início da aula, os professores ensinaram-nos que existe vida para lá das certezas rígidas, opacas, que nos queiram apresentar. Se desligarmos a televisão por um instante, chegaremos facilmente à conclusão que, como nas aulas de matemática ou de filosofia, não há problemas que disponham de uma única solução. Da mesma maneira, não há fatalidades que não possam ser questionadas. É ao fazê-lo que se pensa e se encontra soluções.
Recusar a educação é recusar o desenvolvimento.
Se nos conseguirem convencer a desistir de deixar um mundo melhor do que aquele que encontrámos, o erro não será tanto daqueles que forem capazes de nos roubar uma aspiração tão fundamental, o erro primeiro será nosso por termos deixado que nos roubem a capacidade de sonhar, a ambição, metade da humanidade que recebemos dos nossos pais e dos nossos avós. Mas espero que não, acredito que não, não esquecemos a lição que aprendemos e que continuamos a aprender todos os dias com os professores. Tenho esperança.


Artigo de José Luís Peixoto, publicado na revista Visão de 13 de Outubro de 2011

terça-feira, 9 de agosto de 2011

UM POEMA PARA OS MEUS MENINOS

Olá Meninos!

Não é que encontrei um poemazito que tinha feito para vocês e que deveria ter aqui publicado e não o fiz?
Mas, embora o não tenha feito na altura, vou fazê-lo agora...


Meninos! Já repararam
Que um ano inteiro passou?
Com alegria estudaram,
Aprenderam, ou não e tudo acabou...


Com saudades me despeço,
Ralhei, brinquei, ensinei!
Mas muito vos agradeço
Pois de todos muito gostei!


Ficam-me na memória
E também no coração
Gostem sempre de HISTÓRIA
Pois será a base de "ser CIDADÃO".


Com amizade da vossa Professora e D.T.

Isaura Victorino

sexta-feira, 24 de junho de 2011

PARABÉNS!

Olá meus queridos ex-alunos!

Acabou mais um ano lectivo, para vocês muito diferente do que tinham feito até aqui, e acima de tudo muito trabalhoso!
Mas mostraram bem que são aquele grupo EXCEPCIONAL!
A Turma FANTABULÁSTICA!
Fiquei muito Feliz por vocês.
O vosso trabalho foi surpreendente!
As vossas notas são a prova disso! Dezassetes, Dezoitos, Dezanoves e mesmo alguns 20!
Que MARAVILHA de alunos!
Que honra e privilégio ter-vos tido como alunos!
Em tantos anos de docência, vocês são aqueles meninos que nunca irei esquecer. Pelos valores humanos, pelas capacidades intelectuais, pelo trabalho e esforço.Só posso felicitar-vos.

PARABÉNS!

Parabéns CATARINA! Continuas a mesma menina brilhante, fantástica para quem o estudo é sumamente importante!
Parabéns BERNARDO! Aquele menino tímido que veio para o 9º D, está a revelar-se um aluno brilhate!
Parabéns PILAR! A menina alegre, de sorriso gaiato, mostra que o estudo é importante! 20 a Inglês!
Parabéns VALÉRIA! Continuas a revelar as tuas capacidades, a revelar que há muito a esperar de ti.
Parabéns MARGARIDA! A menina tímida que chegou vinda de outra escola, revelou-se e continua a mostrar que é capaz! 20 a Inglês!

Parabéns, mais uma vez, a todos vocês!
E os meus cumprimentos aos vossos Pais.

Beijocas grandes da vossa antiga D.T

Professora Isaura Victorino

domingo, 12 de junho de 2011

NOVAS DOS MEUS MENINOS

Em Agosto de 2010 escrevi a última mensagem relacionada com a "Turma Fantabulástica". O ciclo de três anos tinha chegado ao fim e os meus meninos ganhavam asas e voavam do ninho protector em que até então tinham estado.

Cresciam e iam abraçar novos desafios.

Uma nova etapa esperava-os!

E nessa nova fase das suas vidas têm tido sucesso.

Por isso volto aqui para deles dar notícias!

Os "trabalhos" que têm enfrentado, têm sido enfrentados com coragem, esforço e determinação. Disso são reflexo as fantásticas notas que estes alunos tiveram nos dois períodos lectivos anteriores. Devo salientar a Catarina, o Bernardo, a Pilar, a Valéria, a Margarida M. entre outros. Notas acima de dezasste! Alguns vinte, mesmo!

É algo que muito me orgulha e deixa feliz! Os seus Pais estarão certamente radiantes de Felicidade!

São meninos FANTÁSTICOS!

Fala-se muito dos jovens e nem sempre pelas melhores razões. Estes meninos são o exemplo de uma Juventude sã, empenhada, trabalhadora e apostada em construir um país melhor.

As vitórias têm sido muitas e as recompensas também.

Num Concurso de Poesia a Valéria foi a grande vencedora.

O seu poema foi o premiado.

PARABÉNS Valérie!

Sempre te disse que tinhas uma veia de poetisa!

O teu poema é de facto muito bom! Gostei!


E aí está ele publicado no nosso Blogue!


Os próximos serão também aqui publicados.


Até sempre meus filhos!

Voltarei a escrever.


Professora Isaura Victorino





REGRESSO - NOVAS DOS MEUS MENINOS

"O que foi"

Fizeste-me uma máscara
E todos os dias a usei
Fizeste-me uma máscara
E esqueceste-me a cara
Porque nunca mais a mostrei.

Roubaste-me a alma
E todos os dias a chorei.
Roubaste-me a alma
E derreteste-me o espírito
Nas lágrimas que deitei.

Apagaste-me as palavras

E nada mais inventei.
Apagaste-me as palavras
E escondeste-me o amor
Que em tempos te dei.

Perdeste-me as memórias

E nada mais lembrei.
Perdeste-me as memórias
E partiste-me o coração
Em pedaços que enterrei.


V.B.P.M. (Valéria)

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

FINAL de UM CICLO (2007/2010)

O final do ano lectivo para este grupo que recebi no ano lectivo 2007/2008, teve lugar no passado dia 8 de Junho! O exames do 9º ano tiveram lugar uma semana depois, nos dias 16 e 18 de Junho e o tempo que mediou entre a realização dos exames de Língua Portuguesa e de Matemática e a saída das respectivas pautas com o veredicto final, foi stressante...
A preocupação com as notas era uma constante. Será que os vinte e dois alunos da turma D do ano, passavam? Será que o Ruben conseguiria pelo menos os 20% a Matemática para passar para um novo ciclo? O exame tinha-lhe corrido "bué da mal" como ele disse assim que saiu da sala chorando convulsivamente no alpendre... O Professor Zé Pedro de Matemática estava convencido de que as coisas estavam mesmo "pretas" para o Ruben, baseando-se no que ele ia dizendo sobre o que tinha feito... E o Rui? Será que conseguia passar o obstáculo e seguir para a frequência do curso de teatro (no dia do exame de Matemática já tinha outra ideia completamente estapafúrdia e fora da realidade para ele!)? E o Ricas, aquele despassarado total? Iria conseguir frequentar o seu curso profissional na vertente da electromecânica? (afinal foi para os computadores!) E a Soraia, a mais desligada (nem lá vou nem faço nada)? Ah, e o Bruno também conseguiria ir em frente? Eu andava verdadeiramente preocupada com este "grupo da corda"! Eram, dos meus meninos, aqueles que mais preocupação me davam!
Sairam finalmente as notas!
Felizmente o 9º D não tinha qualquer reprovação!!! Fantástico!!! Todos foram aprovados!
Mas o "grupo da corda" precisava de um puxão de orelhas pelas notas de Língua Portuguesa e de Matemática...
Mas os restantes merecem uma nota de louvor!
Que dizer do Bernardo C., da Catarina, da Inês, da Gena, do Matos, do Miguel, da Margarida, da Pilar, da Valéria, da Vera e dos seus belíssimos resultados? Um orgulho!!!
E a Susaninha? Um exemplo esta miúda!
E o João que conseguiu ultrapassar as suas dificuldades no português!? Grande força de concentração!
A Ana, a Bárbara, a Sofia, a Mónica, o Casas também merecem uma palavra. Conseguiram com mais ou menos esforço passar para o 10º ano!!!
Estão portanto, todos os vinte e dois alunos, de PARABÉNS!!!
Como Professora e Directora de Turma deste grupo sinto-me feliz.
Os meus meninos, apesar de me deixarem, vão dar mais um passo na construção do seu futuro e tenho a certeza que de muitos deles ainda ouviremos falar.
Serão todos eles Cidadãos dignos do seu país e alguns deles terão certamente lugares de destaque na sociedade!!!
Serão o meu orgulho!!!
Sinto-me feliz por vos ter tido como alunos! Amar-vos-ei sempre!
Sejam Felizes!