quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Alguns poemas da Valéria

Cinco para a uma

Quem vive e passa
Quem vive e sente
Sabe que viver é o começo
De quem ama eternamente

O relógio da minha vila
Toca às cinco para a uma
Acordo sempre a essa hora
A essa e mais nenhuma

Cinco para a uma é a hora
Dos encontros imortais
Dos dois que se procuram
Ele, ela e ninguém mais

Ela espera no parque
Procurando a sua presença
Ele não vem, não virá
Foi essa a sua sentença

Separados para sempre
Para toda a eternidade
Separados pela morte
Que dura realidade

Mas eles continuam
Continuam a procurar
Sabendo que é às cinco para a uma
Que um dia se vão encontrar.
17/09/2009



Mundo dos Sonhos

Procurando vida e morte
Procurando as estrelas contar
Procurando um reino sem fim
Por nele querer habitar

Procurando o Mundo dos Sonhos
Terra do Nunca e outros que tais
Procurando o mundo que não precisou
Nem precisa de provas cabais

Na cabeça de cada um
Ele existe na verdade
É como olhar-se num espelho
Que reflecte a nossa vontade

O nosso mundo secreto
A nossa secreta sinfonia
Completa o incompleto
Com uma divertida fantasia

Um mundo para além
Dos problemas da vida real
Um mundo que pertence a ninguém
E está a apenas um passo abismal

O paraíso, o sonho
Que o sono ajuda a chegar
Aberta a minha porta ponho
Para que ele possa um dia entrar.
08/10/2009

O Amor

Quando o Amor nos bate à porta,
Nós dizemos: Olá, Olá!
Mas não o deixamos entrar, não senhor,
Pois é tão intrometido, o Amor!

Vem sorrateiramente,
Sob o nome de Cupido,
Parece uma criança inocente,
Mas é um diabrete escondido.

Quando nos vê distraídos,
Pega no arco e nas flechas encantadas
Lança sobre nós o feitiço do Amor
Que nos endoidece até chorarmos de dor!

E ele ri-se, o diabrete,
E corre quase nu e sem pudor
Quer estejam ou não pessoas a passar
Quer esteja frio ou calor

Parece outra vez uma inocente criançinha
Mais bonita do que outra qualquer
Mas tem um sorriso traquinas na sua carinha
E faz sorrir os outros, que dizem: Que Amor!
2006/2007


Felicidade

A alegria é coisa frágil
E a felicidade também
Pois apenas os ignorantes as têm
Porque ignoram o mal que existe
Neste mundo de ninguém…

A vida é dura e impiedosa
É muito difícil viver
Mas vale a pena um dia
Poder os frutos do trabalho colher

Vale a pena o esforço
Vale a pena tentar
Vale a pena ser feliz
E os outros alegrar

Não é, na realidade, preciso
Ser ignorante a valer
Bastam boas memórias
Para na felicidade crer.

3 comentários:

  1. Parabéns, poetisa Valéria, por estes magníficos textos.
    Até amanhã, às dez e quarenta e cinco - aquela hora muito parecida com a das cinco para a uma!
    Beijo grande
    Margarida Portugal

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  2. Valéria, gostei muito dos teus poemas, tens imenso, imenso jeito, continua.
    Beijinhos
    Vera Rivotti

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  3. PARABÉNS Valéria!!!
    Apreciei os teus poemas!
    Tens, na realidade, veia poética!
    Certamente que terás futuro na escrita, quer seja na poesia, quer na prosa!
    Os teus poemas revelam uma grande maturidade, muito além da tua verdadeira idade física!
    No entanto gostaria que vivenciasses os teus treze anos com os momentos de menina, jovem, adolescente...com a alegria própria dessa fase da tua vida!
    Quero-te muito feliz!
    Quero que sejas aquela menina travessa e risonha que timidamente se mostra quando fala comigo!
    Espero num futuro ter o privilégio de saber que a minha aluna é uma reconhecida escritora!
    Beijão grande da tua Professora amiga,
    Isaura Victorino

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