quarta-feira, 7 de abril de 2010
Uma história (que vou continuando aos poucos) para os meus colegas e professores lerem
Era uma pequena aldeia, no meio de tanto mundo. As suas casas eram de madeira, alguma já com musgo e podre, pois muitos e quase infindáveis anos haviam passado por ela. Tinha uma pequena igreja, a única em muitos, muitos quilómetros. E nessa igreja havia um sino, que tocava todos os dias para chamar os poucos habitantes que ainda existissem nessa aldeia a reunirem-se para uma solene e pouco faustosa missa. Até se poderia duvidar da existência dessa aldeia, se não fosse pelo pequeno sino prateado que tocava todo o santo dia. Mas a aldeia não parecia existir, de facto, pois não era referida em livros, histórias, lendas, mitos, nem mesmo em banais contas de luz. Era invisível para o mundo, e o mundo era invisível para ela também, e para os seus parcos e vetustos habitantes. Vetustos? Sim, vetustos, velhos, idosos. Nesta miserável aldeia não havia crianças, excepto duas, que Deus havia deixado viver para que os habitantes tivessem alguém por quem lutar. Eram Vianne e Wölf. Vianne era uma linda menina, que adorava sentir os seus cabelos ruivos a esvoaçar atrás de si, enquanto corria. Wölf tinha cabelos negros como a noite mais escura que possam ter visto, em contraste com os seus olhos de um límpido azul, muito mais claros do que os de Vianne, que eram de um forte turquesa. Eram chamados Os Filhos do Sol, porque para os velhos, eles eram a alvorada de dias melhores, dias em que a aldeia pudesse estar cheia de crianças, suas bisnetas e trinetas, que trouxessem consigo alegria, cor, e principalmente agitação! Mas parecia que nada iria dar certo, porque estes dois simpáticos infantes, que deviam ser calmos e pacíficos, pela convivência com os velhos, não eram nada disso: eram aventureiros. Viviam em constantes perigos, lutando contra criaturas que vinham apenas da sua imaginação. Não queriam crescer, mas também não queriam viver para sempre naquela pequena aldeia. Lá, tudo ficava na mesma, numa pasmaceira que seria inacreditável, noutra cidade qualquer. Infelizmente, eles sabiam que, tal como Sir James Barrie disse, uma vez, todas as crianças crescem, excepto uma. Vianne e Wölf não tinham a sorte de serem essa criança, mas esforçavam-se ao máximo para não se deixarem ficar como os velhos. Os velhos, velhos velhos, mais velhos do que dinossauros, não compreendiam estes petizes, que corriam, corriam, e corriam sem parar. Os seus pais tinham já sessenta anos, e eles tinham apenas uma dúzia. Diferença, grande diferença, que eles sentiam mais do que ninguém. Se bem que o tempo não tivesse mudado muito no último meio século, pelo que as épocas e as actividades eram praticamente iguais. E era assim, nessas vetustas actividades, que Vianne e Wölf.passavam os seus anos. Com dez anos, pescavam, exploravam, brincavam e estudavam. Com treze, pescavam, exploravam, caçavam e estudavam. Com dezasseis, pescavam, exploravam, caçavam e estudavam. Mas, sendo Vianne e Wölf tão conhecedores das leis como eram (por estarem a desobedece-las despreocupadamente constantemente), deviam saber a primeira e única lei universal, enunciada uma vez por Camões: Todo o mundo é composto por mudança. Assim sendo, eles deviam saber que nunca, mas nunca poderiam ficar iguais, na mesma situação. Mas como poderia a situação deles mudar assim, de repente? Nunca de forma normal, pois a aldeia em si não mudava. Havia mortes, claro, pois era uma aldeia de idosos, mas nunca grandes mudanças. Havia população suficiente, e vinham sempre mais pessoas idosas que procuravam um lugar tranquilo onde passar os últimos dias. Mas um dia, chegou uma pessoa diferente. Não era idosa, era um jovem.
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OLÁ VALÉRIA!
ResponderEliminarGostei da tua "estória".
A criatividade é realmente a tua imagem!
A descrição da narrativa é riquíssima. Transporta-nos para um mundo de sonhos onde nos deixamos envolver. E de tão envolvidos, acabamos por fazer parte da "estória".
Continua a escrever!
Dá-nos o prazer de compartilharmos os teus sonhos!
P.S. Corrige "trisnetas". Escreve-se "trinetas".
Onde tens "Haviam", linha treze (...não haviam crianças...) e cinquenta e dois (Haviam mortes...) deverás escrever "HAVIA".
Beijinhos, Professora Isaura
Olá valéria! Desculpa lá não ter comentado nada, mas a verdade é que não me lemnbrava da passe e que por mais que tentasse não conseguia participar no blogue, mas mesmo bom trabalho! A tua história está mesmo fixe!
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